Direcção Cientifica

UEM e Fiocruz esboçam estratégias para a formalização do sistema de gestão e partilha de laboratórios na UEM

A UEM acolheu, no dia 6 de Novembro de 2025, um seminário dedicado à sensibilização para a partilha de laboratórios entre as unidades académicas da UEM e entre estas e comunidade científica e empresarial externa, numa iniciativa conduzida pela Direcção Científica em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Brasil. A actividade faz parte de um processo mais amplo que inclui o aprimoramento do guião de gestão e partilha dos laboratórios em elaboração, o reforço das capacidades técnicas e a definição do plano de implementação do projecto-piloto que abrange seis laboratórios, nomeadamente os laboratórios de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Engenharia, Laboratório de Tecnologia de Alimentos da Faculdade de Veterinária, Laboratório de Ecologia Marinha e Aquática e Laboratório Central de Química da Faculdade de Ciências, Laboratório de Solos da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal e Laboratório do Centro de Biotecnologia.

O evento que decorreu no campus principal da UEM, contou com a presença da Vice-Reitora Académica, Profa. Doutora Amália Uamusse, a quem coube a abertura. Na sua intervenção, a dirigente, que também é detentora de conhecimentos sobre gestão e partilha de laboratórios, enalteceu a iniciativa mostrando-se bastante interessada em ver os resultados do encontro a serem implementados na UEM, numa altura em que decorrem diferentes iniciativas que visam a reestruturação e consolidação da UEM como universidade de investigação. Tal como referiu a dirigente:  “A gestão de infraestruturas de investigação constitui, actualmente, um dos pilares fundamentais para o fortalecimento da capacidade científica das universidades com objectivos similares aos nossos, nomeadamente a intensificação da produção científica e a consolidação do estatuto de universidade de investigação”.

Dirigido pelos mentores da Fiocruz, Profa Cássia Pereira e Prof. Wim Degrave, o seminário juntou os Directores-Adjuntos para Investigação e Extensão de todas as unidades académicas da UEM, os técnicos dos laboratórios, e os representantes dos seis laboratórios seleccionados para o projecto-piloto de implementação da rede de partilha. Na ocasião, os mentores apresentaram o modelo de infraestrutura de investigação partilhada já em funcionamento na Fiocruz. A rede permite que diferentes instituições acedam a laboratórios e equipamentos mediante registo e agendamento prévios. Segundo Profa. Cássia Pereira, o sistema de partilha tem sido fundamental para o desenvolvimento da ciência brasileira: “Para nós, é essencial acelerar o processo de investigação, avançar na ciência e garantir a independência tecnológica do país”, explicou.

A experiência despertou interesse entre os técnicos e investigadores moçambicanos, que consideraram o modelo inovador e adaptável à realidade nacional, especialmente no contexto de escassez de recursos e necessidade de manutenção de equipamentos especializados. O chefe dos laboratórios do Departamento de Engenharia Química da UEM, Adolfo Conde, destacou que a UEM enfrenta desafios, principalmente na manutenção de equipamentos e na sustentabilidade das equipas técnicas. Para ele, a partilha de infraestruturas pode ser um caminho eficaz para contornar estas dificuldades: “Um dos problemas que temos tido é o acesso a alguns equipamentos. Com este sistema, podemos recorrer a outros laboratórios dentro da rede, o que traz maior robustez e ajuda a colmatar lacunas antigas”, afirmou.

Os participantes também salientaram que o novo sistema facilita o financiamento de manutenções e permite gerar receitas com a prestação de serviços a outras instituições e indústrias, pois quando os equipamentos estão a funcionar em pleno, pode-se oferecer serviços e garantir a própria gestão dos laboratórios. Com esta iniciativa vários problemas serão minimizados.

Para os representantes da FioCruz, o seminário foi uma oportunidade de aprendizagem recíproca. Apesar da experiência acumulada no Brasil, reconheceram que as visitas e discussões com a equipa moçambicana trouxeram novos ensinamentos. A comitiva brasileira destacou ainda que os problemas enfrentados na investigação científica são desafios globais, que exigem respostas locais adaptadas a cada contexto: “A lição principal é que os desafios não são apenas da UEM ou de Moçambique, mas de todo o mundo. O importante é saber como lidar localmente e aprender uns com os outros”, concluiu Cássia Pereira.

O seminário terminou com um balanço positivo e o compromisso de aprofundar a cooperação científica entre a UEM e a FioCruz. Na sua intervenção, na qualidade de gestor do órgão organizador do evento, o Director Científico, Prof. Doutor Emílio Tostão, agradeceu a presença e colaboração de todos e afirmou que as duas instituições continuarão a partilhar conhecimento e experiências, com vista a fortalecer a investigação, a inovação e o desenvolvimento tecnológico em Moçambique.

Por: Nélcia Machaieie e Uaite Primeiro

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