A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) contribuiu com soluções científicas nas áreas de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e dos cancros, no âmbito do Programa SIDA – Subprograma de Formação em Investigação, que tem vindo a impulsionar a formação de investigadores, a modernização da capacidade laboratorial e a produção de conhecimento científico orientado para os desafios da saúde pública em Moçambique.
Os resultados foram apresentados durante o Seminário de Disseminação dos Estudos do Programa SIDA, realizado no dia 30 de Junho de 2026, pela Faculdade de Medicina (FAMED), em Maputo, e que reuniu investigadores, docentes, estudantes de Pós-graduação e profissionais de saúde. Em representação do Magnífico Reitor da UEM, o Director do Gabinete de Cooperação, Prof. Doutor Manuel Chinene, fez a abertura do evento afirmando que o Programa SIDA constitui um exemplo de importância das parcerias internacionais para o fortalecimento da investigação científica e da formação de recursos humanos altamente qualificados, sublinhando o compromisso da UEM com a produção de conhecimento de excelência.
Na sua intervenção, a coordenadora do Programa, Prof.ª Doutora Esperança Sevene, explicou que a iniciativa foi concebida para fortalecer a capacidade científica da UEM nas áreas das IST e dos cancros, através da formação avançada de investigadores, do reforço das infraestruturas de investigação e da transferência de tecnologias para o país. Entre os principais resultados alcançados, destacou o acompanhamento de cinco estudantes de Doutoramento (PhD) e cinco estudantes de Mestrado, o reforço da capacidade laboratorial da Faculdade de Medicina (FAMED), com a disponibilização de novos espaços de trabalho e equipamentos científicos, e a introdução de tecnologias como o PCR multiplex, FibroScan, imuno- histoquímica e outras técnicas moleculares. O programa promoveu ainda reuniões científicas entre estudantes e supervisores, sessões de Journal Club e outras iniciativas destinadas ao fortalecimento da formação em investigação.
No domínio da produção científica, Esperança Sevene referiu que o programa resultou em 15 publicações científicas e permitiu que quatro estudantes de doutoramento apresentassem os seus trabalhos em conferências internacionais. Acrescentou que a iniciativa desenvolveu acções de aproximação entre a investigação, a comunidade e os decisores, visando facilitar a utilização da evidência científica na formulação de políticas públicas. O seminário serviu igualmente para divulgar os resultados de nove estudos científicos desenvolvidos por estudantes de doutoramento e de mestrado, incidindo sobre áreas prioritárias da saúde pública, entre as quais o HIV, a hepatite B, o vírus do papiloma humano (HPV), o vírus do herpes simples, o cancro do colo do útero, a epidemiologia e o Programa Alargado de Vacinação.
Durante uma das apresentações, a investigadora Darlene Kenga alertou que a hepatite B continua a representar um importante problema de saúde pública, devido ao risco de evolução para formas crónicas da doença e à elevada proporção de casos resultantes da transmissão de mãe para filho. Relativamente ao HIV, referiu que Moçambique registava, em 2021, uma prevalência de 12,5% entre a população adulta, estimando-se cerca de 2,44 milhões de pessoas a viver com o vírus. Acrescentou que, em 2024, a cobertura do tratamento anti-retroviral atingiu 88%, reflectindo os progressos alcançados na resposta nacional à epidemia.
Por sua vez, a Dra. Vanda dos Muchungos apresentou um estudo sobre a revisão das políticas nacionais e a avaliação dos conhecimentos, atitudes e práticas dos profissionais de saúde relativamente à co-infecção por HIV e hepatite B, defendendo o reforço da capacitação técnica e a harmonização das políticas para melhorar a resposta integrada a estas doenças.
Ao promover a divulgação dos resultados científicos alcançados e ao apresentar novas oportunidades de financiamento para a investigação, o seminário reafirmou o papel da UEM na produção de conhecimento científico de excelência e na construção de soluções inovadoras para responder aos desafios do desenvolvimento e da saúde pública em Moçambique.
Por: Lina Muchanga e Zulfa Cossa